O filme narra uma parte da história humana do final do Séc. XVIII, durante a Inquisição e na iminência da invasão e ocupação Francesa do reino da Espanha, pelos exércitos de Napoleão. O enredo centra-se em volta do renomado pintor Francisco de Goya, sendo essa personagem responsável pela condução da história e pela revelação e introdução das restantes personagens, da ação, do contexto histórico e dos tão bem recriados ambientes cênicos. A obra de Goya é elogiada pela corte do Rei Carlos IV, de modo a torná-lo um pintor palaciano, mas a intolerância da Igreja considera pecaminoso o trabalho do artista. Protegido por Frei Lorenzo, Goya não consegue evitar que a jovem Inês, modelo do pintor, seja presa sob a acusação de heresia e torturada brutalmente pela Inquisição.
Vale lembrar que o filme não é a biografia do pintor espanhol Francisco Goya, mas o relato de uma época importantíssima no contexto histórico. Uma formidável aplicação histórica, o enlevo multidimensional das razões, da discussão e da luta entre o Iluminismo e a Religião, o anseio do novo sob a forma do velho.
De qualquer forma, poucos artistas mudaram tanto sua arte ao longo de sua vida e, pouquíssimos, ao mudar constantemente sua arte, mudaram tanto a história de toda a arte. A vida de Francisco de Goya y Lucientes (1746-1828) é, portanto, uma questão fundamental para todos aqueles que se interessam pelo tema. Podemos dizer que ele foi o último dos antigos mestres barrocos e neoclássicos, e o primeiro dos artistas modernos. Pintando batalhas e amores, monstros e belas mulheres, Goya quis desvendar o insondável enigma da crueldade humana. Com certeza, os fantasmas que o aterrorizava.
As obras de Goya era uma pintura feita para a corte, nos tempos de Carlos III, monarca interessado na industrialização, na obra de Voltaire, na emancipação feminina.
O interessante é que Goya veio ao mundo justamente quando nascia Pestalozzi, que revolucionaria o conceito da educação; quando Diderot lançava na França, seus Pensamentos Filosóficos e por outro lado, Voltaire, Rousseau e Montesquieu já agiam inconscientemente preparando a Revolução Francesa, quando, na Espanha, ascendia ao trono Fernando VI. Mas Até a Espanha muda e durante o reinado de Fernando VI, a Santa Inquisição perde o seu vigor e deixa de ser instrumento da política do Estado. É verdade que ainda persiste a censura eclesiástica, mas, apesar dela, aumentam os contatos com a França e surgem indivíduos ousados que não temem ler e até possuir O Espírito das Leis, de Montesquieu. O mundo pretende apressar sua evolução. Russeau publica seu Discurso sobre Ciências e Artes.
Mas em 1792, aos 46 anos, Goya fica doente, provavelmente de pólio ou meningite, e passa meses em estado febril e com a visão bastante prejudicada no sul da Espanha e termina surdo. Ao retornar a Madri, sua arte é apresentada do modo mais escuro, onde podemos ver que, pessoas touradas, bandidos, loucos passam a ser seus temas mais usuais, e as “majas” e duquesas ganham uma sensualidade possante.
Por outro lado, o despotismo do rei Carlos IV e as guerras com Napoleão e os ingleses seriam ainda mais determinantes na vida do pintor que, como um cronista do horror, faz as séries de gravuras conhecidas como Os Caprichos, sobre as hipocrisias dos casamentos e as crueldades da Inquisição, e Os Desastres da Guerra, que não vê nela nada além do desespero, da dor e da brutalidade. A sua capacidade de expressar tanto com tão pouco, dá a sensação de que essas gravuras parecem ter sido feitas no calor do momento. Seria, talvez esse, um novo mundo estético para Goya e para a história. Sua obra, no entanto, tornou-se mais rica e expressiva, ainda que marcada por uma visão mais pessimista do mundo e do ser humano.
Muitos fatos ocorriam sucessivamente de modo que, com essa convicção, Goya, amargurado e frustrado em relação aos homens, morreu em 1828, ano em que nascia Tolstói, Taine e Verne, ano em que surgiam os positivistas e em que o mundo parecia sair definitivamente da sua mentalidade medieval e adquiriam uma mentalidade mais moderna.
Vale lembrar que o filme não é a biografia do pintor espanhol Francisco Goya, mas o relato de uma época importantíssima no contexto histórico. Uma formidável aplicação histórica, o enlevo multidimensional das razões, da discussão e da luta entre o Iluminismo e a Religião, o anseio do novo sob a forma do velho.
De qualquer forma, poucos artistas mudaram tanto sua arte ao longo de sua vida e, pouquíssimos, ao mudar constantemente sua arte, mudaram tanto a história de toda a arte. A vida de Francisco de Goya y Lucientes (1746-1828) é, portanto, uma questão fundamental para todos aqueles que se interessam pelo tema. Podemos dizer que ele foi o último dos antigos mestres barrocos e neoclássicos, e o primeiro dos artistas modernos. Pintando batalhas e amores, monstros e belas mulheres, Goya quis desvendar o insondável enigma da crueldade humana. Com certeza, os fantasmas que o aterrorizava.
As obras de Goya era uma pintura feita para a corte, nos tempos de Carlos III, monarca interessado na industrialização, na obra de Voltaire, na emancipação feminina.
O interessante é que Goya veio ao mundo justamente quando nascia Pestalozzi, que revolucionaria o conceito da educação; quando Diderot lançava na França, seus Pensamentos Filosóficos e por outro lado, Voltaire, Rousseau e Montesquieu já agiam inconscientemente preparando a Revolução Francesa, quando, na Espanha, ascendia ao trono Fernando VI. Mas Até a Espanha muda e durante o reinado de Fernando VI, a Santa Inquisição perde o seu vigor e deixa de ser instrumento da política do Estado. É verdade que ainda persiste a censura eclesiástica, mas, apesar dela, aumentam os contatos com a França e surgem indivíduos ousados que não temem ler e até possuir O Espírito das Leis, de Montesquieu. O mundo pretende apressar sua evolução. Russeau publica seu Discurso sobre Ciências e Artes.
Mas em 1792, aos 46 anos, Goya fica doente, provavelmente de pólio ou meningite, e passa meses em estado febril e com a visão bastante prejudicada no sul da Espanha e termina surdo. Ao retornar a Madri, sua arte é apresentada do modo mais escuro, onde podemos ver que, pessoas touradas, bandidos, loucos passam a ser seus temas mais usuais, e as “majas” e duquesas ganham uma sensualidade possante.
Por outro lado, o despotismo do rei Carlos IV e as guerras com Napoleão e os ingleses seriam ainda mais determinantes na vida do pintor que, como um cronista do horror, faz as séries de gravuras conhecidas como Os Caprichos, sobre as hipocrisias dos casamentos e as crueldades da Inquisição, e Os Desastres da Guerra, que não vê nela nada além do desespero, da dor e da brutalidade. A sua capacidade de expressar tanto com tão pouco, dá a sensação de que essas gravuras parecem ter sido feitas no calor do momento. Seria, talvez esse, um novo mundo estético para Goya e para a história. Sua obra, no entanto, tornou-se mais rica e expressiva, ainda que marcada por uma visão mais pessimista do mundo e do ser humano.
Muitos fatos ocorriam sucessivamente de modo que, com essa convicção, Goya, amargurado e frustrado em relação aos homens, morreu em 1828, ano em que nascia Tolstói, Taine e Verne, ano em que surgiam os positivistas e em que o mundo parecia sair definitivamente da sua mentalidade medieval e adquiriam uma mentalidade mais moderna.
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